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Cinemateca Capitólio

Um Pouco de História

  

O Cine Theatro Capitólio é monumento de uma época e de uma cidade percebida apenas vagamente na memória de alguns, nos desvãos de ruas e becos, em fotos e recortes amarelados. São vestígios semi-adormecidos de um Porto Alegre que se queria moderna, mas ainda não havia hipertrofiado sua urbanidade e se desenhava interiorana e cosmopolita. O ano era 1928, e é provável que o picumã chegasse à fachada do prédio da esquina da Demétrio com a Borges, que além de filmes exibia peças de teatro, bailes de carnaval e até concursos de misses.

Detalhe da Fachada do antigo cinema Capitólio

O Capitólio faz parte de nossa história como uma lenda urbana. Acompanhou as mudanças na geografia de Porto Alegre, os aterros roubando espaço ao lago Guaíba, a verticalização ocupando o lugar das estrelas. Como tantos cinemas de rua por aí, não se adaptou e não resistiu às mudanças no espaço público. Mudaram a segurança e o transporte da cidade. As pessoas passaram a ter novas exigências, diante da overdose de ofertas de lazer e serviços; a concorrência não mais limitada aos jogos de futebol e à quermesse da igreja.

Detalhe da Fachada nova da Cinemateca Capitólio

O Capitólio fechou em 1994, ano, também emblemático, da retomada do cinema brasileiro com Carlota Joaquina de Carla Camurati. Desde lá, a produção audiovisual gaúcha foi recriando seu espaço. Tem a contar não apenas histórias, mas a sua própria história. Naquele prédio que ainda guarda o carinho e o imaginário da cidade, que empresta referência às culturas e às gentes que aí vivem ou passam e que abrigou o espírito cinéfilo dos porto-alegrenses, todas essas imagens e luzes estarão juntas: o cinema, a cidade e a comunidade do bairro. Principalmente, estará lá a diversidade, que é, afinal, o motivo desse projeto de recuperação.