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Cinemateca Capitólio

Projeto Cinemateca

  

A Cinemateca Capitólio, caracterizada pelo ineditismo de suas funções, surge através da interação de dois atores: a comunidade do bairro e os agentes do cinema. A instituição resultante será catalisadora de acervos e tecnologias de preservação, recuperação, pesquisa e reconhecimento do patrimônio audiovisual gaúcho e brasileiro.

Seu compromisso com a difusão deste patrimônio será concretizado pela disponibilização de espaços, instrumentos e políticas de atração, formação e interlocução com seus públicos específicos e com o conjunto da sociedade.

Para tanto, oferecerá serviços e atividades que, a partir de suas interações, deverão integrar a produção audiovisual às demais demandas culturais que são apresentadas pela comunidade como um de seus desejos mais contundentes.

Fachada antiga do Cinema Capitólio

O projeto de recuperação

A recuperação arquitetônica da zona central de Porto Alegre tem merecido esforços importantes e investimentos públicos e privados. Esse trato com a memória, a recuperação e preservação de prédios e vias, está sendo apresentada pela municipalidade e pelos cidadãos como um dos seus desejos e prioridades mais contundentes. O Capitólio se inscreve nessa disposição, oferecendo à cidade uma nova instituição, com serviços culturais de qualidade.

O projeto se assenta sobre dois pilares. O audiovisual dará a tônica dessa casa de cultura, em respeito ao passado do prédio, mas também pela dinâmica que o setor tem implementado na atividade cultural organizada de Porto Alegre. O desenvolvimento do audiovisual gaúcho tem ficado bastante evidente no volume inédito da produção de longas-metragens, que credencia o Estado como o mais importante pólo produtor de obras audiovisuais fora de Rio e São Paulo. Este projeto vincula-se aos programas em implementação de desenvolvimento da indústria audiovisual, e apresenta ao país uma instituição destinada à formação de públicos em vários níveis, viabilizando iniciativas para a valorização da crítica, a coleta de informações sobre os públicos e a preservação de acervos importantes.

O segundo pilar é a relação estreita e apaixonada com as comunidades do bairro e da cidade. Não se está tratando de um centro cultural qualquer num lugar qualquer. Essa relação faz toda a diferença, tanto para a viabilidade financeira do projeto, quanto para a definição de seus públicos-alvo e o incremento de serviços culturais dirigidos aos que vivem e trabalham no centro da cidade. A integração com os agentes locais, da cidade e da atividade cultural organizada, é uma exigência e uma vantagem a ser trabalhada nas políticas implementadas no projeto.

O projeto arquitetônico foi elaborado pelos arquitetos Marcelo Fernandez e Telmo Stensmann, com a supervisão da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural da Secretaria Municipal da Cultura e do Escritório de Projetos e Obras da Secretaria Municipal de Obras e Viação e procurou preservar as características do monumento. O tombamento do prédio pelo patrimônio cultural do Município define as diretrizes de intervenção. Os novos elementos procuram se apresentar como ação atual, evitando a tentação de mimetizar o antigo ou de competir com as estruturas preservadas.

A função-âncora do Capitólio será representada por uma instituição chamada Cinemateca Capitólio, catalisadora de agentes, acervos, tecnologias e políticas de preservação, recuperação, difusão, crítica e reconhecimento do patrimônio audiovisual gaúcho. A criação dessa instituição, em um prédio pleno de história e significados, se aliará a uma série de outros serviços próprios de um centro cultural de uso múltiplo, buscando públicos e planejando suas políticas a partir dos dois pilares mencionados.

O projeto – obras e planejamento da instituição, até a sua implantação – será implementado por convênio entre o Município de Porto Alegre e a Fundação Cinema RS – FUNDACINE. Os recursos financeiros necessários estão sendo captados junto à iniciativa privada e aos poderes públicos estadual e federal, estes através dos benefícios fiscais promovidos pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura e pelo PRONAC.

A Cinemateca Capitólio

As ações de preservação e recuperação da memória fílmica e audiovisual não são justificadas plenamente se percebidas apenas como suporte à atividade crítica e histórica, ou por objetivos políticos de fortalecimento de relações de identidade social de uma população. A relação da obra cultural preservada com o espectador baseia-se  numa referência objetiva, atual. Não é o tempo que é preservado. A obra incorpora informações, impressões, leituras que modificam a intenção original antes mesmo da primeira exibição, de modo que não apenas a película, a fita magnética ou qualquer outro suporte está sujeito à preservação. A obra está, assim, continuamente sendo realizada, atualizada.

Fachada nova da Cinemateca Capitólio

A idéia da criação da Cinemateca Capitólio parte desta constatação. O desenvolvimento de estruturas de suporte à produção não pode prescindir de uma intervenção vigorosa na recuperação, acervamento e acesso universal às obras audiovisuais, especialmente aquelas produzidas no Rio Grande do Sul. Atualmente, filmes e documentos, patrimônio cultural de importância fundamental para os gaúchos, estão dispersos em acervos privados, de regra sem condições mínimas nem mesmo para a sua manutenção, menos ainda para a utilização de espectadores, críticos, pesquisadores ou realizadores. Mesmo as informações sobre as obras, sua localização e estado carecem, hoje, de uma instituição de convergência que permita seu acompanhamento e utilização.

O acervamento e a pesquisa sobre a produção audiovisual gaúcha são apenas o mote para uma instituição marcada pela fomação e trato direto com os públicos e pelo manuseio dos signos e imagens produzidas pela televisão e pelos cineastas locais. Estarão na Cinemateca a Escola de Pelotas e a de Porto Alegre, Teixeirinha e Ilha das Flores, a produção em Super-8 e os cinejornais, Vento Norte e os filmes de Antônio Carlos Textor, a vigorosa produção curta-metragista dos anos 80 e 90 e Anahy de las Misiones.  Exposições de cartazes e fotos ou da indumentária  gaúcha de Netto Perde Sua Alma poderão conviver com a programação da sala de cinema, das oficinas e da biblioteca. Clássicos do cinema disputarão espaço com o lançamento de novas produções. A opinião e o gosto do espectador serão objeto de pesquisa, assim como a história e a arte da televisão no Rio Grande do Sul e dos cineastas do Brasil.