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1ª Semana do Cinema Gaúcho na Cinemateca Capitólio
25 de março de 2026

Entre os dias 26 de março e 1° de abril, a Cinemateca Capitólio recebe a programação da 1ª Semana do Cinema Gaúcho. A iniciativa, fruto de uma parceria da Capitólio com o SIAV RS, o Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio Grande do Sul, tem como foco a produção audiovisual no interior do Estado, e acontece justamente na semana em que se celebra o Dia do Cinema Gaúcho, comemorado em 27 de março.

A mostra tem entrada franca e inclui nove longas realizados em diferentes regiões do Estado, e um programa de curtas que destaca o trabalho da produtora TV OVO, de Santa Maria. Entre os longas, serão exibidos títulos produzidos nas cidades de Santa Cruz do Sul (InfiniMundo), Cachoeira do Sul (Extermínio), Canoas (Um Filme de BR), Mostardas (Campo Grande é o Céu), Santa Maria (Câncer – Sem Medo da Palavra, Manhã Transfigurada Os Abas Largas), Caxias do Sul (Porto de Elis, uma Viagem à Diversidade da Arte) e Erechim (Sem Saída). A programação inclui ainda mesas de debates e a exibição especial dos longas  Um Certo Cinema de Porto Alegre, de Boca Migotto, e Saneamento Básico, o Filme, de Jorge Furtado (que será apresentado ao ar livre, na Praça dos Açorianos, no dia 28 de março (junto com o curta A Diferença Entre Mongóis e Mongoloides, de Jonatas Rubert), esta sessão realizada em parceria com a FUNDACINE – Fundação Cinema RS.

INFINIMUNDO | 2024
Direção: Bruno Martins e Diego Müller

 

SINOPSES DOS FILMES

InfiniMundo, de Diego Müller e Bruno Martins (Santa Cruz do Sul, 2024, 89 minutos).

Uma fábula delicada e inventiva sobre o amor e a força dos valores humanos. Em uma cidade fictícia, de tempo impreciso e marcada por elementos da cultura brasileira, um jovem contador de histórias se apaixona pela estrela da banda local. No momento de se declarar, porém, a chegada de forasteiros abala a rotina do lugar. Diante da ameaça, ele precisará recorrer à imaginação, à astúcia e à sensibilidade para atravessar o conflito — e, enfim, encontrar seu caminho até o amor. Vencedor do prêmio de Melhor Filme pelo júri popular no 52º Festival de Cinema de Gramado, o longa dirigido por Bruno Martins e Diego Müller foi filmado em 2023 nos municípios de Sinimbu e Santa Cruz do Sul. Parte das cenas foi realizada em locais emblemáticos como o Núcleo Germano Wink e a ponte pênsil da região, que sofreram danos severos após a enchente que atingiu o estado em maio de 2024. As locações, hoje marcadas pela memória, reforçam o caráter afetivo do filme e apontam para um futuro de reconstrução e esperança.

Um Certo Cinema Gaúcho de Porto Alegre, de Boca Migotto (Porto Alegre, 2023, 107 minutos).

Uma viagem por 40 anos e três gerações de gente que fez cinema no Rio Grande do Sul. Um estudo a respeito de filmes que simbolizam os anseios dos porto-alegrenses ao longo das transformações da sociedade gaúcha. Entre memórias, análises e fragmentos de filmes, o percurso revela como o cinema feito no Rio Grande do Sul se constrói em diálogo constante com seu tempo. Resultado da pesquisa acadêmica de Boca Migotto, o documentário articula passado e presente ao revisitar diferentes momentos da cinematografia gaúcha, tensionando continuidades e rupturas. Ao mesmo tempo em que levanta questões sobre identidade, linguagem e pertencimento, também compõe um registro sensível desse circuito, ampliando o olhar sobre o que se entende como um certo cinema de Porto Alegre.

Sessão Homenagem TV OVO

Cartas de Felippe, de Marcos Borba (Santa Maria, 2024, 21 minutos).

A trajetória do escritor santa-mariense Felippe D’Oliveira, um dos nomes expressivos da literatura do início do século XX, a partir de um conjunto de 47 correspondências trocadas com João Daudt Oliveira e João Neves da Fontoura. Mais do que registros íntimos, as cartas revelam uma rede de relações que atravessa literatura e política, incorporando também vozes centrais da história gaúcha, como Borges de Medeiros e Getúlio Vargas. A partir desse material, o filme investiga as conexões entre criação literária e engajamento político, iluminando um período de intensas transformações no país. Dirigido por Marcos Borba, o curta nasce do contato com a pesquisa do professor Pedro Brum Santos, que identificou nas cartas uma trama reveladora sobre o papel do poeta em acontecimentos que marcaram a história nacional. Com depoimentos de pesquisadores como Lucas da Cunha Zamberlan e do escritor e jornalista Juremir Machado, o documentário constrói um retrato sensível e investigativo, no qual memória, literatura e política se entrelaçam.

Morada, de Neli Mombelli (Santa Maria, 25 minutos, 2024).

Um buraco na parede de um apartamento na Casa do Estudante Universitário desencadeia uma investigação íntima e inesperada. Ao encontrar um documento antigo, datado do fim dos anos 1980, Eduarda — estudante da Universidade Federal de Santa Maria — inicia uma busca para descobrir a identidade de seu possível autor, ao mesmo tempo em que revisita sua própria relação com o espaço que habita. Ambientado na CEU II, o documentário constrói uma narrativa que entrelaça diferentes tempos e experiências de moradia, revelando o lugar como território de permanências e impermanências.

Cidade de Concreto, de Alan Orlando (Santa Maria, 20 minutos, 2025).

Encerrando a trilogia iniciada com Cidade de Lona e continuada em Cidade de Madeira, o episódio Cidade de Concreto volta seu olhar para o presente e o futuro do bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. A partir de imagens atuais e depoimentos de moradores, o filme revela uma comunidade que, após décadas de luta por moradia, segue em constante transformação, sem abrir mão de seus princípios de coletividade e resistência. O episódio evidencia como as conquistas do passado se desdobram nos desafios do presente, reafirmando a importância da mobilização social e da formação de novas lideranças. Entre memória e projeção, o documentário constrói um retrato vivo de um território que continua a se reinventar na busca por reconhecimento, dignidade e cidadania.

A Diferença entre Mongóis e Mongoloides, de Jonatas Rubert (Porto Alegre, 2021, 4 minutos).

Alguns humanos nascem com um conjunto de características variáveis, chamado Síndrome de Down. Um disco voador, dinossauros e cegonhas nos ajudam a tentar compreender o que isso significa — e qual é a diferença entre ter ou não essa condição.

Saneamento Básico, o Filme, de Jorge Furtado (Porto Alegre, 2007, 112 minutos).

Em uma pequena comunidade do interior, moradores se mobilizam para reivindicar a construção de uma estação de tratamento de esgoto. Ao descobrirem que há verba disponível apenas para a produção de um filme, decidem realizar um curta de ficção como estratégia para viabilizar o projeto — mesmo sem qualquer experiência no cinema. A partir dessa premissa, o diretor Jorge Furtado constrói uma comédia que explora, com humor e ironia, os bastidores da realização audiovisual e os mecanismos de financiamento cultural. Entre improvisos e soluções criativas, o filme articula uma metalinguagem afiada que revela tanto os desafios do fazer cinematográfico quanto as ambiguidades do chamado “jeitinho brasileiro”.

Porto de Elis, uma Viagem à Diversidade da Arte, de Flavia Gazola (Caxias do Sul, 2025, 73 minutos).

O documentário resgata a trajetória do Porto de Elis, teatro-bar que marcou a cena cultural de Porto Alegre entre 1984 e 1994, período de efervescência artística e transformações sociais no país. Localizado no bairro Petrópolis, o espaço se consolidou como ponto de encontro de diferentes linguagens e públicos, reunindo música, teatro, dança e audiovisual em uma atmosfera de liberdade, experimentação e convivência sem preconceitos. A partir de imagens de arquivo e depoimentos, o filme revisita esse ambiente pulsante e suas conexões com a cidade — da Rádio Ipanema ao Bar Ocidente — destacando seu papel na formação de artistas e na consolidação de uma cena cultural diversa. Palco de início para nomes como Adriana Calcanhotto, além de receber artistas como Fernanda Abreu, Zélia Duncan e Cássia Eller, o Porto de Elis também foi espaço de inovação estética, revelando grupos e experiências que marcaram o período.

Sem Saída, de Osnei Lima (Erechim, 2021, 74 minutos).

Um grupo de jornalistas investigativos parte em busca de respostas sobre desaparecimentos misteriosos — de pessoas e animais — em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul. À medida que avançam na apuração, percebem que aquilo que procuram pode estar mais próximo — e ser mais perturbador — do que imaginavam. Construído a partir da linguagem do found footage e filmado em tempo real ao longo de três dias, o longa dirigido por Osnei de Lima aposta na sensação de urgência e verossimilhança para conduzir a narrativa. Entre registros aparentemente brutos e imagens de objetos voadores não identificados, o filme tensiona as fronteiras entre ficção e realidade, compondo um suspense em que as peças se organizam gradualmente — revelando um enigma que desafia explicações convencionais.

Um Filme de BR, de Wender Zanon (Canoas, 2025, 105 minutos).

Quatro pesquisadores percorrem a BR-116 no trecho que atravessa Canoas em busca de pessoas cujas vidas são atravessadas pela rodovia. Mais do que um eixo de circulação, a estrada — uma das mais extensas do país — surge como uma fissura que divide a cidade, ao mesmo tempo em que cria pontos de encontro, memória e pertencimento. Ao longo do percurso, diferentes personagens compartilham experiências marcadas pela presença constante da BR: rotinas de trabalho, afetos, perdas e violências se entrelaçam em narrativas que revelam o cotidiano de quem vive à margem do fluxo acelerado. Inspirado no cinema de Eduardo Coutinho, o filme adota a conversa como método e a caminhada como gesto, transformando um limite geográfico em abertura para escuta e criação.

Campo Grande é o Céu, de Bruna Giuliati, Jhonatan Gomes e Sérgio Guidoux (Mostardas, 2022, 55 minutos).

Um mergulho na vida e na resistência de comunidades quilombolas no sul do Rio Grande do Sul, o documentário acompanha moradores que lutam para preservar seus territórios, saberes e tradições ancestrais. Entre o oceano Atlântico e a Lagoa dos Patos, no município de Mostardas, essas comunidades mantêm viva a memória de seus antepassados, negros escravizados entre os séculos XVIII e XIX, reafirmando vínculos com a terra e com a cultura. A musicalidade dos Ternos de Santos Padroeiros atravessa o filme como expressão de fé, identidade e continuidade, ao lado de registros do cotidiano, da fauna e da flora do bioma pampeano. Entre cantos, paisagens e práticas agrícolas — como a preservação de sementes nativas —, o longa constrói um retrato sensível de permanência e pertencimento.

Manhã Transfigurada, de Sérgio Assis Brasil (Santa Maria, 2007, 102 minutos).

Final do século XIX. Época em que as grandes propriedades são sinônimo de poder e a Igreja representa a autoridade moral. Nesse cenário, a jovem Camila é levada a casar-se com um rico estancieiro para resgatar a posição social de sua família. Porém, na noite de núpcias seu marido descobre que ela não é virgem. Aprisionada com sua dama de companhia enquanto aguarda a anulação do casamento, e recebendo apenas as visitas do padre e do sacristão, Camila envolve-se em um triângulo amoroso marcado por paixões que desafiam fé e razão. Longa-metragem inteiramente produzido na cidade de Santa Maria, a partir do romance homônimo do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil. Captado em digital, o filme teve uma produção conturbada e só foi chegar aos cinemas após a morte de seu diretor, Sérgio de Assis Brasil, falecido em dezembro de 2007. Trata-se de um esforço de realização único, que conseguiu viabilizar um melodrama de época no interior do Rio Grande do Sul, com uma equipe majoritariamente local.

Os Abas Largas, de Sanin Cherques (Santa Maria, 1963, 83 minutos).

No interior do Rio Grande do Sul, um grupo de bandidos dedica-se a roubar o rentável gado dos moradores locais. Mas a polícia gaúcha local, conhecida como “Os Abas Largas”, devido ao reconhecível chapéu de abas grandes, não permitirá que o bando saia impune. Pioneira produção realizada no interior do Rio Grande do Sul.

Câncer – Sem Medo da Palavra, de Luiz Alberto Cassol (Santa Maria, 2009, 70 minutos).

Histórias e relatos de vida emocionantes, através de depoimentos de pessoas que falam sobre o câncer sem medo da palavra, em busca de um melhor entendimento da doença e seus tratamentos. É considerado o primeiro longa documental produzido em Santa Maria, totalmente gravado na cidade e com equipe 100% local.

Extermínio, de Mirela Kruel (Cachoeira do Sul, 2000, 72 minutos).

Em 2016 a jovem trans Nickolle Rocha é assassinada na cidade de Cachoeira do Sul. O filme de Mirela Kruel revela a triste história em torno do crime, fazendo uma teia que, a partir deste acontecimento, levanta questões sobre transfobia, hormonização, sonhos e desejos das amigas de Nickolle, além de lançar um profundo e delicado olhar sobre a família da vítima.

 

PROGRAMAÇÃO

26 de março (quinta-feira)

09:00 – Seminário Mercado SIAV RS: Mesa 1

19:00 – Sessão de abertura Semana do Cinema Gaúcho: InfiniMundo (entrada franca) – 89 minutos

27 de março (sexta-feira)

18:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Um Certo Cinema Gaúcho de Porto Alegre (entrada franca) – 107 minutos

28 de março (sábado)

09:00 – Seminário Mercado SIAV RS: Mesa 2

17:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Sessão Homenagem TV Ovo (entrada franca) – 67 minutos

18:15 – Semana do Cinema Gaúcho: Porto de Elis, uma Viagem à Diversidade da Arte (entrada franca) – 73 minutos

19:30 – Semana do Cinema Gaúcho: A Diferença Entre Mongóis e Mongoloides + Saneamento Básico, o Filme – Sessão ao ar livre na Praça dos Açorianos (entrada franca) – 117 minutos

29 de março (domingo)

15:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Sem Saída (entrada franca) – 74 minutos

17:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Um Filme de BR (entrada franca) – 106 minutos

19:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Campo Grande é o Céu (entrada franca) – 55 minutos

31 de março (terça-feira)

17:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Manhã Transfigurada (entrada franca) – 102 minutos

19:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Os Abas Largas (entrada franca) – 83 minutos

1º de abril (quarta-feira)

17:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Câncer – Sem Medo da Palavra (entrada franca) – 70 minutos

19:00 – Semana do Cinema Gaúcho: Extermínio (entrada franca) – 72 minutos

 

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