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Cinelimite: A Onda de Filmes Queer em Super-8 da Paraíba
Perequeté (1981) de Bertrand Lira
Baltazar da Lomba (1982) de Nós Também
Era Vermelho Seu Batom (1983) de Henrique Magalhães
Closes (1982) de Pedro Nunes
Tempo: 100 minutos
No final da década de 1970 e início da de 1980, em plena ditadura militar, um grupo de cineastas queer da Paraíba começou a experimentar novas formas de produção a partir dos cursos de Cinema Direto oferecidos pelo NUDOC, oficina criada na Universidade Federal da Paraíba em colaboração com Jean Rouch e sua escola Ateliers Varan. Alguns estudaram na própria França, enquanto outros, inspirados pelo filme Gadanho (1979), de João de Lima Gomes e Pedro Nunes, buscaram caminhos alternativos ao formalismo do Cinema Direto. A chegada do Super-8 e dos equipamentos no NUDOC abriu um horizonte inédito, tornando possível a realização de filmes para um grupo mais amplo de artistas, que logo passaram a usar o cinema como forma de ativismo e expressão queer.
Dessa experiência nasceu um movimento singular de cinema queer em Super-8, possivelmente o único do século XX no Brasil. Entre suas obras estão Closes (1982), de Pedro Nunes, que mistura depoimentos e uma narrativa romântica gay; Baltazar da Lomba (1982), do coletivo Nós Também, que reencena a história do primeiro condenado por sodomia no Brasil colonial; Era Vermelho Seu Batom (1983), de Henrique Magalhães, que confronta estereótipos e discriminações; Miserere Nobis (1983), de Lauro Nascimento, que propõe uma encenação homoerótica da Última Ceia; e Perequeté (1981), de Bertrand Lira, dedicado ao ator e dançarino Francisco Marto. Produzidos sob vigilância e repressão, esses filmes permanecem polêmicos até hoje. A mostra A Onda do Cinema Queer em Super-8 da Paraíba apresenta novas cópias em 2K, digitalizadas durante o projeto Digitalização Viajante (2022–2023), além de entrevistas inéditas com os diretores e com Marto, resgatando um capítulo esquecido e pioneiro da história audiovisual brasileira.