Programação

Sala de Cinema

Horários

29/11/2025 • 16:00h

Cinelimite: O Ciclo Pernambucano do Super-8 Expandido

Entrada franca
Batalha dos Guararapes e, por fim, Peleja Bumba.

Banguê (1978) de Katia Mesel – 20 min
O lento, seguro, gradual e relativo striptease do Zé Fusquinha (1978) de Amin Stepple – 4 min
O Palhaço Degolado de Jomard Muniz de Brito,
Batalha dos Guararapes Parte II (1978) de Fredi Maia, Geraldo Pinho, e Paulo André Leitão- 11 min
A Peleja do Bumba Meu Boi contra o Vampiro do Meio-dia (1981) de Lula Lourenço e Pedro Aarão – 24 min

Total: 85 minutos

Entre 1974 e o início dos anos 1980, o filme em Super-8 tornou-se um poderoso canal de invenção em Pernambuco. O que muitas vezes é lembrado como um ciclo centrado no Recife, com seus festivais e cineclubes, foi na verdade mais amplo: filmes eram realizados em Olinda, Caruaru e até mesmo dentro da Penitenciária Agrícola de Itamaracá. Artistas, poetas e coletivos se apropriaram do formato para criar obras que borravam as fronteiras entre cinema, teatro, performance e comentário político. A seleção começa com Auto Natalino (1974), adaptado de uma peça do Grupo Vivencial, e Vivencial 1 (1974), de Jomard Muniz de Britto, ambos ligados a experimentações radicais no teatro e na performance que colocavam o corpo como espaço de liberdade. No final da década, Banguê (1978), de Katia Mesel, tornou-se seu primeiro documentário em Super-8 com som, registrando a vida dos presos em Itamaracá com intimidade e urgência social. Obras como Batalha dos Guararapes Parte II (1978) reinscreveram a história com olhar irônico, enquanto Amin Stepple transformou o espaço urbano do Recife e a retórica da ditadura em cinema: P.S. Um Beijo (1976) captura a vida sensorial da cidade e culmina no agora icônico beijo no Cinema São Luiz, enquanto O lento, seguro, gradual e relativo striptease do Zé Fusquinha (1978) responde à promessa de abertura “lenta e gradual” do regime com alegoria, decadência e uma das imagens mais inesquecíveis do Super-8 brasileiro. Por fim, A Peleja do Bumba Meu Boi contra o Vampiro do Meio-dia (1981), de Lula Lourenço e Pedro Aarão, realizado em Caruaru, encena uma batalha simbólica contra o vampirismo cultural, enraizada nas tradições do teatro popular e do cordel do Agreste e na resistência cotidiana de seus artesãos. Juntas, essas obras delineiam os contornos de um ciclo pernambucano do Super-8 expandido, um laboratório de crítica social, liberdade erótica, reinvenção histórica e imaginação popular que ultrapassou o Recife e se inscreveu no tecido cultural mais amplo de Pernambuco.

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