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Projeto Raros + Cineclube Academia das Musas – Organ: Sem Limites para o Horror
Direção: Kei Fujiwara
Classificação: 18 anos
Dois detetives investigam uma rede clandestina de tráfico de órgãos em Tóquio e acabam confrontando um cenário de violência extrema, onde corpos são explorados até o limite entre a vida e a morte. A infiltração no submundo revela um universo povoado por figuras marginais — um médico obcecado, sua irmã enigmática e criminosos ligados à yakuza — enquanto a narrativa se desdobra de forma fragmentada, alternando entre investigação, delírio e memória traumática. O filme constrói uma atmosfera sufocante em que o corpo humano deixa de ser identidade e passa a ser matéria, submetido a processos de destruição e transformação.
Primeiro longa-metragem dirigido por Kei Fujiwara, Organ surge a partir de uma trajetória ligada ao teatro experimental e ao cinema independente japonês. Nascida em Kumamoto, em 1957, Fujiwara mudou-se para Tóquio e integrou grupos teatrais antes de se tornar colaboradora próxima de Shin’ya Tsukamoto, com quem trabalhou em filmes fundamentais do circuito underground, como Tetsuo: The Iron Man (1989). Atuando como atriz, diretora de fotografia, cenógrafa e responsável por efeitos práticos, ela desenvolveu uma abordagem artesanal que se reflete diretamente em Organ, realizado com recursos limitados, equipe reduzida e soluções criativas, incluindo o uso de materiais cotidianos na construção dos efeitos visuais.
Marcado por uma estética crua e por uma radicalidade formal, o filme articula horror corporal e reflexão filosófica ao tensionar noções de moralidade, desejo e sobrevivência. Ao confrontar o espectador com imagens extremas e uma experiência sensorial intensa, Organ, exibido em festivais como o Toronto International Film Festival, afirma-se como uma obra singular dentro do cinema japonês dos anos 1990. De circulação limitada e recepção polarizada, o filme é frequentemente descrito como excessivo, desconcertante ou mesmo “impossível” de assistir, consolidando sua reputação como um objeto de culto que desafia convenções narrativas e os limites do próprio espectador.
Sessão em parceria com o Cineclube Academia das Musas e apresentada por Marina Stein, Thainá Maria e Victor Souza.